Marcelo Toniette - Psicologo, Psicoterapeuta e Terapeuta Sexual

 
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Psicoterapia sexual:

uma possibilidade psicoterapêutica com enfoque na sexualidade*

Por Psic. Marcelo Toniette

 

É notável nos últimos tempos a produção de conhecimento na área da sexualidade. Mas nem por isso esse conhecimento acumulado faz parte dos cursos de formação de psicólogos/as. No tocante à área clínica, algumas técnicas desenvolvidas para a superação de disfunções sexuais abriram espaço para a denominada Terapia Sexual. Apesar de os estudos da sexualidade terem início no século XIX, em consonância com a psicanálise, numa proposta moral-normativa, a Terapia Sexual foi proposta mais tarde, em 1970, com a publicação da obra: “Inadequação Sexual Humana”, de William Masters e Virgínia Johnson. Segundo esses autores, a base teórica-técnica da Terapia Sexual é especialmente cognitiva-comportamental.

De acordo com os códigos de ética dos psicólogos e dos médicos, somente esses profissionais são indicados para o trabalho com psicoterapia. Dessa forma, convencionou-se utilizar o termo psicoterapia sexual ao terapia sexual. A formação do psicoterapeuta sexual deve compreender: formação em psicoterapia; desenvolvimento de abordagem técnica; desenvolvimento de aspectos cognitivos quanto à fisiologia sexual; treino em psicoterapia sexual sob supervisão de terapeuta mais experiente; constante atualização (Rodrigues Jr., 1995).

A psicoterapia sexual é uma modalidade voltada para o tratamento de disfunções sexuais, que difere das outras formas de psicoterapia em dois pontos: (1) é focada na queixa sexual trazida pelo cliente; e (2) o psicoterapeuta, além do trabalho clínico presencial, orienta o cliente para a melhoria da comunicação e a realização de atividades sexuais de forma solitária e/ou com sua parceria (Kaplan, 1977). A realização dessas atividades, em ambiente privado, favorece para que o/a cliente tenha experiência erótica sistematicamente estruturada, concomitante ao trabalho com conflitos intrapsíquicos. A psicoterapia sexual não se restringe à melhoria do desempenho sexual, mas envolve questões humanas mais abrangentes que interferem no bem-estar erótico, sendo o sexo parte integrante de um todo.

Essa modalidade psicoterapêutica pode ser realizada individualmente – psicoterapia individual –, porém melhores resultados são alcançados com a presença da parceria – psicoterapia de casal. Apesar de o enfoque ser na queixa sexual, ao longo do tratamento o/a cliente e/ou casal é auxiliado em compreender a construção da dificuldade apresentada e encontrar possibilidades de superação dessa dificuldade, num sentido de valorizar a singularidade de expressão afetiva e sexual.

O processo de psicoterapia tem início com a primeira entrevista, na qual a pessoa, ou o casal, apresenta sua(s) queixa(s). Essa entrevista é estruturada e focada na sexualidade. O psicoterapeuta sexual coletará dados para a compreensão da queixa e propor o tipo de tratamento adequado. Nesse sentido, a proposta principal é de facilitar ao/a cliente a compreensão da própria situação com o intuito de favorecer a melhoria da qualidade da vida afetiva e sexual.

Esta entrevista inicial tem o propósito de reconhecer as necessidades ou requisições daquele indivíduo que procura o serviço especializado em sexualidade. Esses dados nortearão o psicoterapeuta a elaborar um plano de trabalho específico.

Em linhas gerais, o tratamento das queixas sexuais perpassa a reeducação sexual, com o objetivo de eliminar distorções cognitivas – mitos e tabus –, realizar treino assertivo, melhorar a comunicação do casal e possibilitar mudança de comportamento.

É importante que se tenha claro que a psicoterapia sexual não restringe a mera aplicação de técnicas, sendo necessário treinamento do profissional em psicoterapia para esse trabalho. Na psicoterapia sexual é indicado que o psicoterapeuta leve em consideração questões relacionadas à construção do gênero e da sexualidade, de forma a compreender a forma singular com que o/a cliente e/ou casal construiu determinada queixa e/ou disfunção sexual. Dessa forma, leva-se em consideração aspectos psicossocias, compreendendo significados e sentidos da construção da sexualidade, auxiliando o cliente no alcance da melhoria da qualidade da vida afetiva-sexual, aprimorando a saúde sexual.

 

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(*) Edição de artigo homônimo publicado pelo autor em: TONIETTE, Marcelo A. 
Psicoterapia sexual: uma possibilidade psicoterapêutica com enfoque na sexualidade.  Boletim Informativo CEPCoS – Centro de Estudos e Pesquisas em Comportamento e Sexualidade, São Paulo, ano IX, n.9, p.1, set.  2003.  Editora Vera Lucia Vaccari; baseado na apresentação do realizada no mesmo ano,  no VII Congresso Internacional da Unicastelo, da Universidade Camilo Castelo Branco, São Paulo, SP.

 

 

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